
HISTÓRIA DE ADOÇÃO, RESILIÊNCIA E AMOR
Uma Jornada de Partenidade - A História de Cristiano e Paulo
Desde a infância, Cristiano não via a adoção como uma possibilidade real devido à sua orientação sexual, o que o levou a suprimir o desejo de ser pai. No entanto, sua visão mudou ao conhecer Paulo, um professor universitário que sempre sonhou com a paternidade e desejava construir um relacionamento onde a adoção fosse uma condição central.
A Escolha do Perfil e o Processo
O casal decidiu, inicialmente, adotar uma criança entre 3 e 12 anos ou até dois irmãos independentemente de sexo ou cor. O processo de habilitação em São Paulo durou quatro meses, percorrendo etapas fundamentais: entrega de documentos, análise técnica, entrevistas com psicólogos e assistentes sociais, programa de preparação e o estágio de convivência. Cristiano reconhece que, embora o processo apresente burocracias, elas são essenciais para garantir a segurança e a proteção dos direitos das crianças e adolescentes.
O Encontro com os Filhos
Devido ao perfil aberto escolhido pelo casal, a aproximação aconteceu rapidamente. Eles conheceram a história de quatro irmãos que haviam sido resgatados após 32 dias de abandono. As crianças viviam com os avós maternos, mas, com o falecimento destes durante a pandemia, ficaram sozinhas e em condições precárias de saúde e nutrição.
Como Cristiano e Paulo planejavam acolher até duas crianças, a Vara da Infância e da Juventude viabilizou a adoção de dois deles: um menino de 3 anos (hoje com 7) e um adolescente de 12 anos (hoje com 16). Os outros dois irmãos foram adotados por outra família, também composta por um casal homoafetivo masculino, o que permite que os quatro mantenham contato e preservem seus laços biológicos até hoje.
Superação e Adaptação
A convivência trouxe revelações importantes. Com o tempo e o fortalecimento do vínculo, o filho mais velho compartilhou que ele e seus irmãos haviam sido vítimas de violência pelos genitores. Esse desafio foi acolhido com amor e cuidado pelos pais. Atualmente, a família está muito bem adaptada e feliz, embora ainda enfrente desafios sociais. O preconceito se manifesta tanto pela cor dos filhos, que são pretos, quanto pela configuração familiar de dois pais, gerando questionamentos infundados sobre sua competência na criação. Apesar dos obstáculos externos, a história de Cristiano e Paulo é um exemplo de que o afeto e o compromisso são os verdadeiros pilares de uma família sólida e exemplar.